sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

27 de dezembro de 537 – Consagração da Catedral de Hagia Sophia em Constantinopla







Há 1476 anos era consagrada a Catedral Basílica de Santa Sofia, também conhecida como Hagia Sophia cujo significado é "Sagrada Sabedoria" Um dos mais imponentes edifícios construídos pelo Império Romano do Oriente, foi construído entre 532 e 537 para ser a catedral de Constantinopla. Da data em que foi dedicada em 360 até 1453, ela serviu nesta função, com exceção do período entre 1204 e 1261, quando ela foi convertida para uma cathedral católica apostólica romana durante o Império Latino de Constantinopla que se seguiu ao saque da capital imperial pela Quarta Cruzada. O edifício foi convertido em mesquite de 29 de maio de 1453 e 1931, quando foi secularizada. Ela reabriu como um museu em 1 de fevereiro de 1935.
A igreja foi dedicada ao Logos, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, com a festa de dedicação tendo sido realizada em 25 de dezembro, a data em que se comemora o Nascimento de Jesus, a encarnação do Logos em Cristo, foi definitivamente consagrada e concluída dois dias depois em 27 de dezembro de 537, data em que passou efetivamente a ser o centro da cristandade oriental . Embora ela seja chamada de "Santa Sofia" (como se tivesse sido dedicada em homenagem a Santa Sofia), sophia é a transliteração fonética em latim da palavra grega para "sabedoria" - o nome completo da igreja em grego é Ναός τῆς Ἁγίας τοῦ Θεοῦ Σοφίας, "Igreja da Santa Sabedoria de Deus".

Famosa principalmente por sua enorme cúpula (ou domo), ela é considerada a epítome da arquitetura bizantina e é tida como tendo "mudado a história da arquitetura.". Ela foi a maior catedral do mundo por quase mil anos, até que a Catedral de Sevilha fosse completada em 1520. O edifício atual foi construído originalmente como uma igreja entre 532 e 537 por ordem do imperador bizantino Justiniano I e foi a terceira igreja de Santa Sofia a ocupar o local, as duas anteriores tendo sido destruídas em revoltas civis. Ela foi projetada pelos cientistas gregos Isidoro de Mileto, um médico, e Antêmio de Trales, um matemático.
A igreja continha uma grande coleção de relíquias e tinha, entre outras coisas, uma iconóstase de 15 metros de altura em prata. Ela foi a sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e o ponto central da Igreja Ortodoxa por quase mil anos. Foi ali que o Cardeal Humberto, em 1054, excomungou o patriarca Miguel I Cerulário, iniciando o Cisma do Oriente.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

26 de dezembro de 1805 – Tratado de Paz de Pressburgo






Nesta data há 208 anos o Império fundado por Carlos Magno no Natal de 800, tem fim sob os tacões do Exército do pequeno corso, imperador dos franceses desde 1804.
Nesta data é assinada a Paz de Pressburgo após a derrota da Áustria para os exércitos franceses na Batalha de Austerlitz. Com ele se dissolve o milenar Sacro Império Romano Germânico, e do seu esfacelamento, a margem esquerda do Reno é entregue à França, humilhação que será a precursora da irredutível rivalidade entre franceses e alemães durante todo o desenove e primeira metade do vinte.
Nas conquistas e humilhações impostas aos povos da Europa central por Napoleão estão os germes das futuras guerras de 1871, 1914 e 1939, que deixaram milhares de mortos, e produziram sofrimento e desmoronamento da ordem imperial na Europa.
A Revolução Francesa, tantas vezes louvada, derrubou uma disnastia de 900 anos, para instalar no seu lugar a ditadura de um corso e o comando militar de uma civilização brilhante. Entre Luis XIV e Napoleão não há apenas a diferença da legitimidade, mas a bagagem da história, que tornaram a França culpada de todos os sofrimentos inúteis de uma revolução que acabou com a aristocracia, única defesa contra as ditaduras, e quem o diz é Tocqueville!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

25 de dezembro de 1991 – Fim da União Soviética




Foi há 22 anos que o grande estadista Mijail Gorbachov foi finalmente deposto de suas funções de chefe de Estado da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Após um golpe de Estado frustrado, perpetrado pela linha dura do Kremlin, que preconizavam o endurecimento da gerontocracia decadente da URSS, Gorbachov retorna a Moscou, mas já numa posição muito frágil e sem suporte nas estruturas de um Estado soviético falido e apodrecido por 74 anos de desmandos e de ditadura de uma oligarquia monopartidária, instaurada por Stalin.
Boris Yeltsin neste dia assume as prerrogativas de defesa e assuntos exteriores da República da Rússia, e declara extinta a presidência da União Soviética.
Não foi o capitalismo que numa Guerra fez desmoronar a URSS, mas a simples impossibilidade da existência viável de um Estado de esquerda, o comunismo real é um fracasso, que se caracteriza pela miséria, pela falta de liberdade, pela ausência de livre pensamento e onde os ganhos sociais são como o bolsa família, que segundo nossa presidente é o maior programa de transferência de renda e de retirada da populaceo da miséria, mas ao contrário do que a lógica exige, tem de ser ampliado e não progressivamente eliminado.
Um brilhante programa que se automultiplica, para que a miséria se expanda e mantenha o domínio político, até que este, pela perpetuação no poder a qualquer custo, produza a rutpura das instituições do Estado. Isso acontenceu há 22 anos, apenas, na extinta URSS.


25 de dezembro de 800 – Coroado em São Pedro de Roma o Imperador do Ocidente Carlos Magno



Num dia 25 de dezembro há 1213 anos atrás era coroado em São Pedro de Roma, pelo Papa Leão III, o primeiro Imperador Romano do Ocidente desde a deposição de Romulo Augutulo em 476, por Odoacro, com a devolução das insignias imperiais ao Augusto Imperador de Constantinopla. O ideal imperial, de união de toda a Europa sob um mesmo Estado e um mesmo soberano sobreviveu aos séculos, manifestando-se na recriação do Império do Ocidente em Carlos Magno, com sua corte em Aachen, depois com o Sacro Império Romano Germânico, sucedido pelos grandiosos planos de Napoleão, o pequeno Corso, mais tarde pelos Czares russos e por fim, pelos devaneios da Nova Ordem de Hitler e seu Nacional Socialismo e por fim a União Européia que tenta sobreviver a todas as vicissitudes.

Após a morte do Grande Carlos, descendente de Pepino, o Breve, sucede-o no trono imperial, Ludovicus, Ludwig ou ainda Luís I, o Pio, que não conseguirá manter a unidade do Império, desfeito pela ambição de seus três filhos, Lotário, Carlos e Luís II, o Germânico, que pelo Tratado de Verdun, em 843, esfacelam o sonho imperial do avô, que sobreviverá no imaginário da Igreja Romana, no Latim, e no direito canônico, até o ressurgimento na Escola de Bolonha!



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

15 de outubro de 1582 – Há 431 anos, depois de 4 de outubro, seguiu-se 15 de outubro.


 

 

Poucos de nós percebemos o quanto o tempo é mera convenção, o quanto não faz o menor sentido defender que hoje é quarta, ou quinta, ou mesmo domingo, na medida em que hoje só é terça feira, ou martes, ou mardi, ou o que quer que seja, porque todos nós convencionamos assim chamar este dia da semana.

Um dos momentos mais interessantes da história, foi a entrada em definitivo do Calendário Gregoriano, que seguimos até hoje no Ocidente, e que é obra do Papa Gregório XIII, como já discutimos neste blog,

O tempo, mera convenção, não tem qualquer lógica, não espera que possamos reverenciar dias, datas, a não ser, por mera convenção. Defender que nada se pode fazer na sexta, no sábado ou no domingo, nada mais é que expressão de uma ignorância imensa sobre a existência do tempo.

O tempo existe apenas e tão somente para os homens, e apenas e tão somente para suas necessidades de marcar a sua finitude, para fazer-nos lamentar a coisa mais bela, que é a fugacidade da vida, a estreiteza de nosso existir.

Vamos pensar hoje, que há 431 anos atrás, as pessoas foram dormir no dia 4 de outubro e acordaram no dia 15 de outubro, e mesmo assim, o mundo não acabou!

14 de outubro de 1066 – 947 anos da Batalha de Hastings


 

 

Talvez uma das batalhas que mais definem a construção da Europa como uma unidade, é no princípio de 1066, quando o rei inglês Eduardo o Confessor morre sem descendência direta, que surge a oportunidade da expansão do ducado da Normandia para as ilhas britânicas. O herdeiro mais próximo na linhagem era o primo, de doze anos, Edgar Atheling (neto de Edmundo II) que vivera a maior parte da sua vida no exílio na Hungria. No entanto a assembleia dos nobres proprietários escolheu Haroldo II, Conde de Wessex e de East Anglia, porque acreditavam que este estaria preparado para enfrentar uma iminente invasão normanda, na medida em que estes homens já haviam conseguido estabelecer-se na costa norte da atual França. Inicialmente, mostrou-se verdadeira a crença dos nobres, e em 25 de Setembro, Haroldo II derrotou o exército de Harald Hardrada da Noruega na batalha de Stamford Bridge.

Com a importante vitória, a ameaça parecia ter sido afastada, mas apenas três dias depois, em 28 de Setembro de 1066, Guilherme, Duque da Normandia, desembarca no sul da Grã Bretanha. Com um exército de cerca de 7000 homens e uma frota que contava cerca de 600 navios, pode desembarcar sem qualquer oposição no sul da ilha, já que os saxões acreditavam que a ameaça havia sido afastada. Seguiam com Guilherme muitos nobres normandos, flandrinos e bretões a quem haviam sido feitas promessas de títulos e terras em caso de vitória. Guilherme organizou um acampamento fortificado perto de Hastings, protegido na retaguarda por uma floresta e tendo à sua frente um vertente glaciar.

Informado da invasão normanda, Haroldo II determina a seus homens uma marcha forçada para Sul, durante a qual convoca e recruta uma massa de soldados. É notório que o exército inglês conseguiu o feito de cobrir uma distância de cerca de 400 km em menos de quinze dias, de marcha a pé, já em pleno outono, num período muito mais frio que o atual. Os soldados eram principalmente veteranos da batalha de Stamford Bridge, que foram armados com machados dinamarqueses e escudos que se caracterizavam pelo seu enorme peso, tal esforço fez com que as tropas de Haroldo II chegassem exaustas ao sítio onde se encontrava Guilherme.

Há aproximadamente 947 anos atrás, numa manhã de 14 de Outubro de 1066, o duque Guilherme da Normandia dispôs seu exército para a batalha. A frente foi organizada de forma tipicamente medieval em três grupos, organizados por normandos no centro, flandrinos e bretões nos flancos, que incluíam unidades de infantaria, cavalaria e de arqueiros.

Estes últimos foram colocados na vanguarda para o começo da batalha. As disposições de Haroldo II de Inglaterra são desconhecidas, mas devem ter sido semelhantes, uma vez que a escola militar e o tamanho do exército eram os mesmos. A batalha começou com uma chuva de setas dos arqueiros normandos, que não foi muito eficaz. Depois de algumas escaramuças, a infantaria e cavalaria normandas avançaram lideradas por Guilherme em pessoa, assistido pelo meio-irmão, o Bispo Odo de Bayeux. Este ataque pelo centro foi repelido sem grande dificuldade pela infantaria inglesa, protegida pelos seus longos machados e uma muralha de escudos. Porém, Guilherme mandou avançar o seu flanco esquerdo que era constituído principalmente por homens inexperientes e mal armados. Os bretões não estavam à altura dos ingleses e depressa o flanco esquerdo de Guilherme desapareceu à custa dos ingleses e da fuga dos seus próprios homens.

Com este sucesso parcial, o flanco direito dos ingleses precipita-se a lançar um ataque contra os bretões em fuga. Sem o suporte do resto do exército e a proteção da muralha de escudos, os seus membros são apanhados por uma carga de cavalaria normanda e massacrados. Este episódio da batalha marcou o curso do dia e as subsequentes ações normandas.

Percebendo que o inimigo rapidamente se organizou num contra-ataque suicida, os normandos começaram a orquestrar fugas, de forma a atrair os ingleses para a morte, numa tática já usada em guerras no continente. A cada novo embate, fuga e emboscada, a muralha de escudos ingleses tornava-se mais frágil e ao fim do dia era já bastante permeável. Preocupado com a fraqueza da sua própria posição, Guilherme manda avançar de novo os arqueiros, numa última tentativa para resolver a batalha antes de a noite cair. Desta vez os arqueiros foram bastante mais eficientes e provocaram sérias baixas na linha inglesa. Nesta altura, a cavalaria normanda lança o último ataque. No confronto que se seguiu, o rei Haroldo II de Inglaterra foi morto por uma flecha no olho esquerdo, lançando o caos no seu exército. Em breve a barreira de escudos desmoronou, assim como a resistência inglesa.

Terminada a batalha com uma vitória normanda, ao cair da noite de 14 de Outubro, restou no campo que Haroldo II estava morto e com ele, todas as esperanças de resistência à invasão normanda. A assembleia de nobres ingleses nomeou Edgar Atheling rei, mas este foi forçado a abdicar poucas semanas depois para o Duque da Normandia. Guilherme foi coroado rei de Inglaterra no dia de Natal de 1066, na Abadia de Westminster, iniciando a dinastia normanda, ficando conhecido na história como Guilherme o Conquistador, e sendo o líder do último exército invasor da Inglaterra. Após ele, ninguém mais conseguiria invadir a ilha e conquistar o reino inglês.

Para comemorar a vitória fi construída uma abadia no local da batalha de Hastings e uma lápide assinala o local da morte de Haroldo II, o último rei anglo-saxão de Inglaterra. Os eventos do dia encontram-se retratados na tapeçaria de Bayeux.

sábado, 4 de maio de 2013

4 de maio de 1493 – 620 anos da Bula Inter coetera

 
 
Há 620 anos, numa terça feira, o Papa Alexandre VI, nascido Rodrigo Borja, publicou a Bula Inter coetera, cuja expressão latina significa "entre outros (trabalhos)", é a primeira bula daquele papa, editada, como hoje, num 4 de maio de 1493. Nos termos utilizados naquele documento pontifício, o chamado "novo mundo" seria dividido entre os reinos de Portugal e Espanha (esta que acabara de ser unificada sob o cetro de Carlos V, soberano sacro romano imperador), divisão esta que foi estabelecida através de um meridiano situado a "100 léguas" a oeste do arquipélago do Cabo Verde. Assim, segundo o arbítrio papal, o que estivesse a oeste do meridiano seria de domínio espanhol, e o que estivesse a leste, de domínio português. Ocorre que Portugal já havia visitado inclusive a Terra Nova no Canadá, e sabia da existência dos extensos territórios, que não havia reivindicado, por apresentar à época uma população de pouco menos de 1 milhão de habitantes.
No termos da bula papal:
 
“Esta bula origina-se de termos feito doação, concessão e dotação perpétua, tanto a vós (reis), como a vossos herdeiros e sucessores (reis de Castela e Leão), de todas e cada uma das terras firmes e ilhas afastadas e desconhecidas, situadas em direção do ocidente, descobertas hoje ou por descobrir no futuro, Seja descoberto por vós, seja por vossos emissários para este fim destinados”.
 
Tal arranjo de Direito Internacional Público determinou uma pacificação na corrida pela descoberta de caminhos marítimos que levassem à cobiçada Índia e China, terras que tinham as especiarias e artigos de luxo, muito desejados na Europa, e dependentes da exploração do comércio pelos muçulmanos. Assim, se assegurava que as terras descobertas no ano anterior por Cristóvão Colombo deveriam ser adjudicadas à Espanha e, a Portugal caberia a costa africana que vinha sendo explorada com vistas ao achamento de um caminho marítimo para a Índia e para a conquista e conversão dos infiéis muçulmanos, numa clara sobrevivência do espírito de Cruzada ainda no século XV europeu.
Os termos firmados pela bula do papa espanhol desagradaram à Coroa Portuguesa que irresignada pugnou pela reforma dos termos, inclusive se necessário pela força das armas. O impasse só foi solucionado com a negociação do que veio a ser conhecido como o Tratado de Tordesilhas (1494), que estabeleceu um novo meridiano a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde, o que permitiu que o Brasil passasse a ser território português e fosse hoje o imenso gigante continental que somos, já que o Brasil é apenas e tão somente uma ideia portuguesa! Não há que se falar em Brasil antes do achamento português, porque somos filhos do sentimento nacional de expansão lusitano!